terça-feira, 11 de maio de 2010

Conversa com o deputado Fernando Mineiro

Em reunião com o Núcleo de Jovens Artistas - NJÁ, no último sábado, 8, o deputado Fernando Mineiro falou sobre políticas públicas no Brasil. "Defendo mudanças na sociedade e não existe mudanças sem passar pela cultura", afirmou Mineiro.

Ele explicou para os jovens que, em nosso país, existe uma "cultura de não valorizar a cultura". Um exemplo disso é a Constituição atual, que trata muito pouco do assunto.

"As políticas públicas para cultura entraram em pauta há muito pouco tempo. A organização estatal brasileira não tem especificidade para a cultura. O Estado ser responsável por isso é uma visão recente", declarou.

Por outro lado, como explicou o parlamentar, as ações do Ministério da Cultura no Governo Lula mudaram as políticas públicas para a área em nosso país. "Os Pontos de Cultura deram recursos a pessoas que já desenvolviam um trabalho consistente", enfatizou.

Necessidade de organização
Além da ação do Estado, para Mineiro, os grupos e artistas também devem se organizar. segundo ele, essa ação é fundamental para o acesso às políticas públicas.

"Existe uma necessidade de dedicação coletiva e isso é muito difícil. Aqui em Natal tem muita experiência provisória porque quem participa não tem paciência para colher os frutos", afirmou.

Fonte: http://mineiropt.com.br

Texto de George Holanda sobre o NJÁ

Em março, o ator George Holanda nos deu o prazer de ministrar a oficina "A identidade do ator" para membros do Núcleo e outros interessados. Esta semana, ele nos enviou um texto contando como foi a experiência.


Meu encontro com o Núcleo de Jovens Artistas foi uma surpresa. Conhecia a maior parte dos integrantes, mas tinha vago conhecimento acerca do movimento. Fui convidado para dar uma oficina. Este foi um convite que não esperava. Depois de assustado com a idéia, me apaixonei. E acho que o que me abriu as portas para me apaixonar foi que o convite me deixava à vontade para trabalhar com um tema livre, algo que fosse novo, que eu estivesse desenvolvendo, mesmo que ainda em um estado experimental.

Nisso encontrei em mim temas caros desde muito tempo. Talvez desde que era um artista mais jovem. E foi essa minha juventude que encontrou a juventude deles. Posso dizer que foi muito especial trabalhar com o NJÁ. Talvez mais do que eles imaginam. Pudemos discutir acerca da identidade do ator, sua vivência em grupo, e, ainda, sua ética no trabalho. Temas que nunca me abandonaram, mas que parece que se reencontraram comigo nesse convite.

Sempre muito bom trabalhar com quem possui esse ímpeto em conhecer algo novo, em descobrir lugares desconhecidos, especialmente, dentro de nós mesmos. Talvez isso seja uma qualidade de jovens artistas, seja qual for a idade. Talvez ser artista seja ser um jovem artista. Seja ter coragem e vontade de vida. Encontrei isso no NJÁ. E fez meu coração bater mais forte.

Obrigado a todos, queridos, e linda caminhada para vocês.

George Holanda




sábado, 1 de maio de 2010

I Ciclo de Leituras Dramáticas do NJÁ


O Núcleo de Jovens Artistas – NJÁ realiza nos dias 28 e 29 de maio, seu primeiro “Ciclo de Leituras Dramáticas”. Os eventos têm início às 17h30, no Instituto Câmara Cascudo (em frente à Caixa Econômica da Ribeira), na Cidade Alta. Um texto contemporâneo e outro clássico serão interpretados por membros do Núcleo.


No dia 28, é a vez da peça Suíte 1, do francês Philippe Minyana e, no dia 29, Medéia, de Euripides. Cada apresentação custa R$ 3 e a casadinha R$ 5.


O “Ciclo de Leituras Dramáticas” do NJÁ deve acontecer a cada três meses. O intuito é promover a difusão de cultura a preços populares e formação de público, além da qualificação artística dos envolvidos, sejam eles atores ou produtores.


Para cada evento, o Núcleo convida um facilitador para propor os textos clássico e contemporâneo e referências para leitura e interpretação dos mesmos, como textos, filmes, músicas, etc.


Nesta edição, o facilitador escolhido por meio de votação, foi o ator, diretor e dramaturgo Henrique Fontes.


O Núcleo de Jovens Artistas é um grupo que promove discussões sobre políticas públicas culturais e sobre a cena cultural em geral. Além das assembléias semanais, o NJÁ promove eventos e atividades, como o “Mapeando Grupos e Artistas do RN”, oficinas para a comunidade e o próprio “Ciclo de Leituras Dramáticas”.


Suíte 1

Escrita em 2002 pelo dramaturgo Philippe Minyana, um dos mais importantes dramaturgos franceses contemporâneos, “Suíte 1” retrata a vida em sociedade e o cotidiano de um homem e várias mulheres que discorrem sobre seus ‘eus’ e ‘outros’. Cabe ao público costurar seus próprios fios de um drama intimista.


Medéia

A peça “Medéia” apresenta o retrato psicológico de uma mulher carregada de amor e ódio a um só tempo. A protagonista da história representa um novo tipo de personagem na tragédia grega, como esposa repudiada e estrangeira perseguida, ela se rebela contra o mundo que a rodeia, rejeitando conformismo tradicional. Medéia é vista como uma das figuras femininas mais impressionantes da dramaturgia universal.

ERRATA

No último dia 20 de abril, o Novo Jornal veiculou matéria de uma lauda sobre o Núcleo de Jovens Artistas, intitulada "Núcleo de Jovens Utópicos". No subtítulo da reportagem, afirmava-se que o NJÁ foi criado porque se sentia lesado pela Fundação Capitania das Artes. Segue abaixo errata à matéria jornalística.

"O Núcleo de Jovens Artistas (NJÁ) não foi lesado pela FUNCARTE em nenhum momento. O grupo surgiu após encontros de movimentos político e artísticos da cidade, no início de 2010, ao perceber a precariedade da conscientização política da juventude potiguar e da necessidade de os jovens grupos dialogarem e trocarem experiências e linguagens.

Fazia-se necessário que os jovens compreendessem a história dos grupos e artistas da cidade e como funcionam as políticas públicas, a fim de poderem argumentar conscientemente e, dispondo de seus direitos, articularem-se mediante o funcionamento dessa engrenagem política. O NJÁ, então, surgiu como um importante instrumento para essa compreensão e troca artística.

O Núcleo não tem partido. Acreditamos num trabalho coletivo que dialogue com os demais artistas, as instâncias públicas e com a sociedade"


Clique nas imagens para ler a matéria.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

PROGRAMAÇÃO MAIO/2010

Dia 08.05
  • Conversa com o deputado estadual Fernando Mineiro
  • Prestação de contas dos gestores financeiros e da produção da oficina "Devorando Hamlet"

Dia 15.05
  • Conversa com o vice-presidente da Funcarte, Gustavo Wanderley
  • Últimas definições sobre as oficinas de maio

Dia 22.05
  • Apresentação da monografia de Eduardo Rodrigues (membro do NJÁ) sobre turismo e cultura
  • Retorno da produção do "Ciclo de Leituras Dramáticas"

Dia 29.05
  • Apresentação do "Mapeando Grupos e Artistas Potiguares", sobre o grupo Pessoal do Tarará e Clotilde Tavares

As palestras são abertas para qualquer interessado, mesmo que ele não seja membro do NJÁ. Elas acontecem todos os sábado, a partir das 10h, na Casa da Ribeira.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Khrystal visita o NJÁ


Na última reunião do Núcleo de Jovens Artistas (sábado, 24 de abril) a cantora Khrystal participou do Mapeando Grupos e Artistas do RN, que neste mês, foi dedicado a ela e à banda Rosa de Pedra. Os seminários foram apresentador por José Neto e Leila Bezerra.

A cantora contou que em 2010 completa 10 anos de carreira e que começa a desenvolver seu trabalho autoral. A inspiração veio do Projeto Retrovisor, no qual ela cantava junto com Luis Gadelha, Simona Talma, Valéria Oliveira e Ângela Castro.

"Estou descobrindo que posso criar minhas próprias músicas", disse Khrystal.

A cantora pretende lançar dois CDs em 2010, um com músicas autorais e outro com com releituras. Também existem grandes chances da volta do Projeto Retrovisor e a Rede Globo gravou, recentemente, especial com Khrystal para ser veiculado em julho.

Rosa de Pedra
Sobre a banda Rosa de Pedra, Neto e Leila mostravam vídeos de shows e clip. Eles explicaram que o grupo tem forte movimento de composição entre seus membros e que o nome é inspirado no primeiro livro da poetisa potiguar Zila Mamede.

Confira o Twitter dos homenageados de abril do Mapeando Grupos e Artistas do RN:

Clotilde Tavares dedica texto aos participantes da oficina "Devorando Hamlet"

Entre os dias 19 e 23 de abril, o Núcleo de Jovens Artistas promoveu a oficina "Devorando Hamlet", ministrada pela atriz e escritora, Clotilde Tavares. Finalizada a atividade, ela escreveu um artigo, em seu blog, dedicado aos participantes que "devoraram Hamlet".

Leia abaixo:






A preparação espiritual do ator, por Clotilde Tavares


Hoje deixem-me falar sobre teatro. O teatro, arte onde milito há anos, ora como atriz, ora como dramaturga, ora com professora, é uma atividade absorvente e muitas vezes ingrata, principalmente quando perseguimos um resultado que pretende ser mais artístico do que comercial, quando buscamos mais a evolução estética da arte que praticamos do que uma gorda bilheteria e casas lotadas.
Por outro lado, como viver de teatro sem atender aos aspectos comerciais da arte? Como pagar o aluguel, a escola das crianças e a conta do supermercado sem vender ingressos? Artistas moram, comem, têm filhos, usam luz elétrica e água encanada. Parece óbvio, mas muita gente esquece disso e adora pedir uma cortesia para não pagar dez reais por um ingresso. Conciliar arte com mercado, eis o grande dilema de produtores, diretores e atores, que vivem tendo o palco como o centro pulsante e apaixonado de suas vidas.

Entre os vários problemas que o teatro nos coloca, está um, crucial nos dias de hoje, que é a formação do ator. O espaço aqui é pequeno para uma discussão dessas, mas é possível levantar alguns pontos. Sempre defendi, como pessoa de teatro, aquilo que chamo de preparação espiritual do ator.

Essa tal preparação “espiritual” não tem nada a ver com religião, mas com a elevação do espírito, do intelecto, das idéias, dessa parte imponderável do ser humano que extrapola as habilidades corporais desenvolvidas pelos exercícios, que hoje em dia são muitas vezes colocadas como os principais requisitos para o trabalho teatral. Essas técnicas são importantes mas ficam vazias e mecânicas se o ator não tiver esse desenvolvimento interno, do “espírito”, da sua essência enquanto ser humano.

Ler, pensar, trocar idéias, ver filmes, ver quadros, ouvir música, experimentar outros tipos de artes, experienciar a transcendência, a ampliação da consciência, praticar a felicidade, tocar um instrumento musical, observar a natureza e aprender com ela…

Mas tudo isso dá trabalho e a maioria dos jovens atores continua com um pé no palco e os olhos e o desejo na TV Globo, sem sequer ir ao cinema, quanto mais ler um livro! Aí fica aquela casca seca, dominando técnicas corporais, encostando o calcanhar na nuca, mas sem referências interiores para cumprir a tarefa do ator que é criar do nada, tendo como ponto de partida apenas as falas do texto, um personagem completo.

E é aí que reside a mágica desta arte. Criar um ser humano de verdade – de verdade enquanto a cena existe – dando-lhe alma, vida, energia, emoções, suor, sangue, lágrimas e risos! Quem poderia aspirar a uma tarefa mais empolgante do que esta? Um tarefa de deuses? E isso acontece todo dia no teatro, mas num teatro feito por pessoas que, além de músculos, ossos, tendões e ligamentos tenham também espírito, alma e essência.

Este post é dedicado aos participantes da oficina “Devorando Hamlet”, promovida pelo Núcleo dos Jovens Artistas, que ministrei de 19 a 23 deste, e que me afastou deste blog por uma semana. Comemoramos com esta oficina, como o faço anualmente, o aniversário de Mr. William Shakespeare.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Discussão sobre o texto "Cultura e Governança", de Jaquelene Linhares

No último sábado, 16, a bailarina Jaquelene Linhares conversou com o Núcleo de Jovens Artistas sobre a relação entre cultura e governos. Para tanto, ela nos apresentou o texto "Cultura e Governança: Um olhar tranversal de futuro para o município". A leitura incitou problemáticas e questionamentos sobre a mercantilização e espetacularização da cultura e sobre a identidade cultural do Rio Grande do Norte. Exemplo: Qual o ritmo musical do RN?

"Uma localidade que não valoriza sua cultura cai na fácil armadilha de que a economia é prioritária e implementa um projeto de cidade de uma modernidade tosca, árida, acrítica, expressão do desenvolvimento material de cidades do primeiro mundo ou das metrópoles globais, que não se desenha a partir dos impulsos civilizatórios das realidades locais", afirma Jaquelene em seu texto.

Nós discutimos que a falta de incentivos e o pequeno número de centros culturais são insuficientes para promover a continuidade de processos artísticos. Falou-se, também, sobre a necessidade de ocupar as praças, para levar a cultura às ruas. É imprescindível que o acesso à pluralidade seja público.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Arte e sociedade


No último sábado, 10, o professor doutor em Filosofia Contemporânea, Eduardo Pellejero, conversou com o NJÁ sobre a relação dos artistas com a sociedade.

Pellejero apoiou sua fala em vários artistas, entre eles o filósofo Sartre e o escritor peruano Mario Vargas Llosa. Para o professor, as perguntas do compromisso artístico são "por que", "para que" e "para quem" se está produzindo arte, sendo a última questão a mais importante.

"Julio Cortazar, por exemplo, afirmava que mesmo sem obrigações latino-americanas ou socialistas, sua literatura apontava para um leitor/público, onde ele acharia uma semente para o futuro", conta Pellejero. "Ele se recusava a fazer uma 'arte comprometida', achava que era uma ilusão e que a arte tem que absorver a experiência do mundo, e não ser uma forma de intervenção", completa.

Para Vargas Llosa, por sua vez, a arte pode desencadear efeitos históricos e não deve se curvar a nenhum imperativo político. Se ela alcança uma autonomia, passa a ser, automaticamente, política, porque incomoda. Além disso, o artista não precisa, necessariamente, tematizar a política. Ele pode explorar os seus próprios demônios que, no fundo, são demônios sociais. "Qualquer forma de arte que explore aqui que faz, que não se conforme com a tradição, é política", declara o professor.

No fim, Eduardo Pellejero deu sua opinião sobre o assunto: "A primeira coisa que a arte faz conosco é mostrar que nunca vamos nos adaptar. Abracem sua deformidade. Façam sua arte a partir do ponto em que você não se adequa ao padrão. É a única coisa, na qual acredito".

Eduardo Pellejero nasceu na Argentina em 1972. É licenciado em Filosofia pela Faculdade de Filosofia da Universidade do Salvador, Buenos Aires (2000) e Doutor em Filosofia Contemporânea pela Universidade de Lisboa (2006). Bolseiro de pós-doutoramento da FCT (2006-2009). Foi Professor Convidado na Universidade Michoacana de San Nicolás de Hidalgo (UMSNH), Morelia, Michoacán, México (Maio-Julho de 2005 e Agosto-Janeiro de 2006-7)). É membro integrado do CFCUL, head da linha de investigação Filosofia das ciências humanas e colaborador do projecto A Imagem na Ciência e na Arte (Curriculum Vitae)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Oficina "Devorando Hamlet"


O Núcleo de Jovens Artistas promove a oficina “Devorando Hamlet” com Clotilde Tavares.

A atividade consiste numa leitura comentada da peça “Hamlet”, de William Shakespeare, feita pela escritora e atriz Clotilde Tavares, enquanto os participantes acompanham, discutem e perguntam. É também uma oportunidade para registrar o 446º aniversário de nascimento de Shakespeare, no dia 23 de abril. No primeiro dia, ao final do primeiro ato, é exibido o filme “Hamlet”, de kenneth Branagh , até o final do primeiro ato. No segundo dia, o segundo ato, e cada dia um ato (são cinco).


DIAS: 19 a 23 de abril
HORA: 17h às 19h
LOCAL: Casa da Ribeira
VALOR: R$15,00 integrante efetivo do NJA \ R$20,00 não-integrante do NJA
INSCRIÇÕES: Ana Carolina Marinho – 9163-5300 \ José Neto Barbosa – 9645-9993
APOIO: Centro Cultural Casa da Ribeira

A tradução de Carlos Alberto Nunes será disponibilizada aos inscritos, em formato digital.


Mais informações:
jovensartistas@gmail.com
www.nucleodejovensartistas.blogspot.com