terça-feira, 9 de novembro de 2010

Um Plano Para a Cultura Brasileira

Plano Nacional de Cultura é aprovado

Projeto de lei foi aprovado por unanimidade no Senado e agora segue para sanção presidencial
A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal aprovou nesta terça-feira, 9 de novembro, por unanimidade, o projeto de lei (PL) que sistematiza o Plano Nacional de Cultura (PNC). O texto, em tramitação no Legislativo desde 2006, é uma construção coletiva dos parlamentares com o Ministério da Cultura (MinC), com o objetivo de definir as diretrizes da política cultural pelos próximos 10 anos. O projeto tramita em caráter terminativo e segue agora para sanção presidencial. Como não houve alterações no Senado Federal, não será necessário votar novamente na Câmara.
“A aprovação do Plano Nacional de Cultura é uma vitória muito grande, primeiro, porque institucionaliza os avanços obtidos nos últimos anos pelo governo federal na área da cultura e, depois, porque garante a continuidade das políticas culturais no Brasil”, comemora Juca Ferreira, ministro da Cultura.
O PNC está previsto na Constituição Federal desde a aprovação da emenda constitucional 48 em 2005 – que instituiu o Plano e seus objetivos – e tem por finalidade o planejamento e implementação de políticas públicas de longo prazo voltadas à proteção e promoção da diversidade cultural brasileira. O PL aprovado traz as diretrizes elaboradas e pactuadas entre Estado e sociedade, por meio da realização de pesquisas e estudos e de debates e encontros participativos como a 1ª Conferência Nacional de Cultura, Câmaras Setoriais, Fóruns e Seminários. Já a o texto foi um trabalho em parceria entre os Poderes Legislativo e Executivo.
ProCultura em discussão na Câmara
A Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Câmara dos Deputados realiza também nesta terça, dia 9,  a partir das 14h, o Encontro Nacional sobre o Projeto de Lei 1139/2007, que institui o ProCultura. O objetivo é encerrar oficialmente o ciclo de debates e sugestões para a relatoria do projeto, que já recebeu cerca de 2 mil contribuições. O Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a CEC, levou a discussão sobre o Procultura até cidades como Curitiba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. No total, o MinC foi a 20 estados debater o projeto com a sociedade. Agora, em Brasília, o texto a ser entregue à deputada Alice Portugal (PC do B-BA), relatora do Procultura, será finalizado. O público interessado também pode participar.
O Procultura é uma ferramenta de ampliação de acesso e fomento à cultura no Brasil, além de contribuir para o desenvolvimento da identidade cultural. De acordo com pesquisa realizada pelo corpo técnico do MinC e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 14% da população brasileira vai regularmente aos cinemas; 96% não frequentam museus; 93% nunca foram a uma exposição de arte; 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança; e 90% dos municípios do País não possuem cinemas, teatros, museus ou centros culturais.
O Programa também visa sanar as limitações verificadas na aplicação da Lei Rouanet, implementada em 1991 e que apresenta distorções. A meta é aprimorar a destinação dos recursos públicos e estabelecer critérios transparentes e objetivos no processo de seleção de iniciativas culturais.
Conheça os principais projetos da Cultura em tramitação no Congresso Nacional
Sistema Nacional de Cultura – A Comissão Especial da Câmara que analisa o SNC aprovou o substitutivo do relator, deputado federal Rubem Santiago, no dia 14 de abril. A PEC 416/2005 será votada em dois turnos na Câmara e seguirá para o Senado. A Proposta de Emenda à Constituição institucionaliza a cooperação entre a União, os Estados e os Municípios para formular, fomentar e executar as políticas culturais, de forma compartilhada e pactuada com a sociedade civil. Saiba mais no Blog do SNC.
PEC 150/2003 – A Proposta de Emenda à Constituição (PEC 150/2003) foi aprovada na Comissão Especial e está na Mesa da Câmara para ser votada em plenário, em dois turnos. Depois será encaminhada ao Senado. A PEC é uma iniciativa dos mais de 400 deputados e senadores de todos os partidos integrantes da Frente Parlamentar Mista da Cultura, que estabelece um piso mínimo de 2% do orçamento federal; 1,5% do orçamento estadual e 1% do orçamento municipal para a cultura. Conta com o apoio de artistas e produtores de todo o país.
Vale-Cultura – Primeira política pública voltada para o consumo cultural, o Vale-Cultura, no valor de R$ 50, possibilitará aos trabalhadores adquirir ingressos de cinema, teatro, museu, shows, livros, CDs e DVDs, entre outros produtos culturais. O projeto de lei nº 5798/2009 foi aprovado na Câmara dos Deputados em outubro do ano passado, com emendas que estenderam o benefício a servidores públicos federais, a estagiários e também a aposentados, sendo que para estes o valor é de R$ 30. No Senado, o projeto recebeu duas emendas que ampliam o leque de serviços e produtos culturais previstos na proposta do Poder Executivo, incluindo periódicos. As emendas dos senadores foram aprovadas pelas comissões que analisam a matéria na Câmara. O PL segue para votação em plenário e, posteriormente, para sanção do presidente da República. Confira mais detalhes no Blog do Vale-Cultura.
Cultura como Direito Social - Proposta que reconhece a Cultura como direito social na Constituição Federal (PEC 236/2008), aguarda constituição da comissão especial que vai analisá-la na Câmara dos Deputados.
Procultura – Após uma ampla e democrática consulta pública, o projeto de atualização da Lei Rouanet pretende corrigir as distorções na lei atual. As principais alterações são o fortalecimento e desburocratização do Fundo Nacional de Cultura, a democratização do acesso à produção cultural e o estímulo para que o setor privado invista na economia da cultura. A matéria foi anexada ao PL 1139/2007 e aprovada na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados. Sua tramitação tem regime de prioridade e caráter conclusivo. Agora será analisada pela Comissão de Educação e Cultura (CEC), depois segue para apreciação nas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ir para o Senado.
Fundo Social do Pré-Sal – O PL 5940/09 foi aprovado com emendas no Senado Federal e retornou à Câmara dos Deputados para apreciação das modificações. O projeto prevê que uma parte dos recursos arrecadados com a exploração da camada de petróleo Pré-Sal será destinada à cultura. O Fundo também beneficiará ações de combate à pobreza, ciência e tecnologia, educação e meio ambiente.
O anteprojeto que moderniza a Lei de Direito Autoral (Lei 9.610/1998) esteve em consulta pública. A proposta visa promover o equilíbrio entre o direito de quem cria, o direito de quem investe e o direito de toda sociedade de ter acesso à cultura, à informação e ao conhecimento.
Simples da Cultura foi aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro do ano passado e tornou-se a Lei 133/2009. Reduz a carga tributária para produções cinematográficas, artísticas e culturais, corrige uma distorção criada em dezembro de 2008, quando o setor foi enquadrado de forma inadequada no chamado Supersimples. A alíquota mínima passa a ser de 6%, em vez de 17,5%. Dados do IBGE indicam que 5% das empresas brasileiras desempenham atividades culturais. O setor emprega mais de 1 milhão de pessoas.
(Comunicação Social/MinC)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Afinal, quando é teatro?



A começar pelo nome, o Festival Agosto de Teatro (que acontecerá entre os dias 09 e 16 de outubro) já dá evidências de seu caráter contraditório.

Em sua segunda edição, o festival promovido pelo Governo do Estado, através da Fundação José Augusto, está enfrentando problemas relacionados a definição das formas artísticas dos espetáculos que tentam se inscrever.

Uma pequena amostra do grau de estagnação no qual se encontra a concepção artística dos produtores culturais de nosso estado pôde ser observada quando dois grupos de dança-teatro ([Sí-la-bAs] C. Dança e Grupo Mobilidade de Pesquisa e Experimentos em Dança e Teatro) foram impedidos de inscrever seus trabalhos sob a alegação de que eles não tinham a estrutura dramática tradicional do teatro. 

Sobre o ocorrido, a integrante do NJÁ, Ramilla Souza, escreveu um ótimo e apaixonante texto no site Substantivo Plural, que pode ser conferido aqui.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

13 Diretrizes para a Cultura Potiguar

Uma carta com 13 diretrizes para a cultura potiguar foi elabora no último dia 20, depois do debate "Por Uma Política Cultural para a Grande Natal", organizado pelo grupo Locau!
A definição das diretrizes para a área cultural aconteceu em plenária realizada após o debate, que reuniu grupos e artistas potiguares no IFRN da Av. Rio Branco.
A carta pode ser conferida a segruir.

"A Cultura é um direito garantido pela Constituição Brasileira de 1988.
Os Direitos Culturais estão expressos na Convenção da UNESCO sobre a Diversidade Cultural de 2005, ratificada pelo Brasil em 2007, na Recomendação da UNESCO acerca do status do artista de 1978, da qual o Brasil também é signatário, e em um infindável número de tratados e fóruns internacionais.
Cultura é cidadania, é desenvolvimento humano, é essencial às transformações e, além da sua relevância econômica, possui grande capacidade de movimentar o real e o imaginário no cotidiano de cada um de nós.
O setor cultural e criativo, que representa mais de 5% do PIB brasileiro precisa receber tratamento condizente com a importância de seu papel no Rio Grande do Norte. Segundo o “Sistema de Informações e Indicadores Culturais” (IBGE/MINC, 2006) o setor era, já em 2003, responsável por 5,7% dos empregos formais no país, 6,2% do número de empresas, 6% do valor adicionado geral e 4,4% das despesas médias das famílias.
Nós, artistas, técnicos, produtores e cidadãos, das mais diversas etnias e credos, reivindicamos uma Política Pública de Estado compatível com a herança histórica e cultural do povo potiguar. Uma política embasada em números concretos e medidas consequentes, que reflita o cumprimento da responsabilidade constitucional do Estado de garantir o financiamento direto à Cultura, através de recursos próprios de seu orçamento. E nós, sociedade civil organizada, queremos participar ativamente dessa mudança!
Por isso, as diversas categorias profissionais e segmentos que atuam no setor cultural e criativo do RN vêm a público firmar as seguintes reivindicações: 

1. Que haja o pleno reconhecimento e adoção pelo Governo do Rio Grande do Norte da totalidade das recomendações da Convenção da UNESCO (2001) Sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, da qual o Brasil é signatário;

2. Que o governo do Rio Grande do Norte trabalhe para que o Brasil ratifique a Recomendação Acerca do Status do Artista, instrumento internacional promulgado pela UNESCO em 1978, do qual o Brasil é signatário, que concita os governos, através de Políticas de Estado, a criarem melhores condições de trabalho para os artistas, buscando através de um diálogo constante soluções que atendam tanto aos pleitos da classe artística quanto às prerrogativas do pleno interesse público; 

3. Que seja criada, de imediato, e mantida com recursos próprios a Secretaria Estadual de Cultura do Rio Grande do Norte, incluindo a criação de Ouvidoria Estadual de Cultura, atendendo às demandas existentes no setor, visando seu fortalecimento institucional, orçamentário e técnico e sua atualização conceitual e programática, considerando sua missão de formular, executar e avaliar as políticas públicas de Cultura no Estado, criando assim, inclusive, diretorias representativas dos setores culturais organizados;

4. Que se ampliem os recursos destinados à ação direta das entidades culturais do Estado para no mínimo 1,5% do orçamento do Estado e 1% para os municípios, conforme a PEC 150/2003, já aprovada na Comissão Especial de Tramitação do Congresso Nacional;

5. Que seja criado e mantido, de imediato, o Fundo Estadual de Cultura;

6. Que haja a implantação imediata de uma Secretaria Municipal de Cultura na capital do Estado, incluindo a criação de Ouvidoria Municipal de Cultura, atendendo às necessidades da produção cultural emergente e conforme as diretrizes do Sistema Nacional de Cultura, e que se incentive a implantação de Secretarias Municipais de Cultura nos municípios da Grande Natal;

7. Que as instituições públicas do setor cultural apóiem e fortaleçam as manifestações da diversidade cultural existente, protegendo o patrimônio histórico e artístico - material e imaterial – através de Políticas Públicas Estaduais e Municipais; 

8. Que o governo do Rio Grande do Norte garanta dotação orçamentária para manter e aperfeiçoar o funcionamento pleno dos órgãos da administração direta, autárquicos e fundacionais ligados à esfera da cultura do Estado;

9. Que o governo garanta, através da criação e execução dos editais públicos, maior democratização e transparência na liberação e destinação dos recursos de incentivo fiscal destinados à Cultura pelas empresas estatais e privadas;

10. Que se promova a revisão conceitual e conseqüente reestruturação dos mecanismos de financiamento já existentes (Lei Estadual de Incentivo à Cultura e Fundo Municipal de Cultura) visando uma melhor distribuição e aplicação dos recursos incentivados no Estado, a partir de critérios estabelecidos democraticamente no âmbito dos Conselhos Estadual e Municipal de Cultura;

11. Que as instâncias administrativas do setor cultural atuem de forma integrada com as demais secretarias de Estado e órgãos afins com o objetivo de desenvolver programas transversais envolvendo áreas importantes – a exemplo da Educação e do Turismo –, que tenham dotação orçamentária originária também nessas secretarias;

12. Que as Fundações de Cultura coloquem em discussão ampla, participativa e democrática o projeto de implantação de Circuitos Culturais Fixos e Itinerantes de livre acesso ao público potiguar;

13. Que seja realizado, de imediato, um Censo Cultural do Rio Grande do Norte que sirva como um instrumento orientador das Políticas Públicas de Cultura no Estado, e que haja reavaliações periódicas deste"
 
Natal, 20 setembro de 2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Depois da ausência no Cultura em Debate, Iberê promete criar Fundo de Cultura

O atual governador e canditado Iberê Ferreira (PSB), foi a grande ausência do Cultura em Debate, promovido pela revista Catorze e pelo Njá. De qualquer forma, durante o debate realizado ontem (20) pela Tv Universitária, o candidato à reeleição prometeu criar o tão aguardado Fundo de Cultura do RN, como mostra esta notícia publica em seu blog.

As promessas estão aí. Agora é cobrar.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Cultura em Debate - o que disseram

Veja o que saiu na imprensa e em blogs sobre o 'Cultura em Debate - Por uma Política Cultural Responsável', realizado no dia 8 de setembro, na Casa da Ribeira.

Blog da Abelhinha/Tribuna do Norte

Blog da Thaisa Galvão

Tribuna do Norte

Tribuna do Norte - caderno eleições

Nominuto - Rosalba

Nominuto - Carlos Eduardo

Diário do Tempo, por Sérgio Vilar

Blog do Dosol, por Anderson Foca

Artigo de Tácito Costa no Substantivo Plural

Blog Fator RRH - sobre Rosalba

Blog Fator RRH - sobre Carlos Eduardo

Matéria publica no Novo Jornal no dia 9/9/2010

Meio cultural cobra investimentos, por Franklin Jorge


NATAL FOI PALCO, ontem à noite, de um acontecimento histórico: a realização, na Casa da Ribeira, do primeiro debate no gênero, no qual os artistas sabatinaram candidatos ao governo do estado sobre
o que pretendem fazer pela cultura do estado. A grande ausência foi a do governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), cuja cadeira permaneceu vazia durante todo o evento. Sequer ele se desculpou pela desatenção nem mandou representante.

Compareceram Rosalba Ciarlini (DEM), disparadamente a favorita nas pesquisas de opinião, e o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT), que abriu o debate em sorteio conduzido pelo jornalista e blogueiro Tácito Costa, mediador do evento.

Carlos Eduardo trouxe consigo uma Carta Compromisso, da qual leu alguns trechos durante os dez minutos concedidos aos candidatos para a auto-apresentação. Nele, o seu projeto de governo numa área que considerou “rica e carente, por falta de visão dos gestores.” Consta do Plano Estadual de Cultura a criação de uma Secretaria da Cultura que se empenhará na democratização e acesso à cultura em todas as regiões do estado. Seu projeto está disponibilizado no site www.carloseduardo12.com.br.

Rosalba ressaltou em sua apresentação que não tem nenhum receio de ousar e por isso criará o Fundo Estadual de Cultura, destinando-lhe 1% do ICMS, o que hoje representa nada menos do que 30 milhões, sete vezes mais do que o atual governo destina à cultura.

Ambos prometeram autonomia à política cultural, sem ingerência política ou “politicagem”, no dizer de Carlos Eduardo. Ambos se afadigaram em disputar quem fez mais pela cultura quando prefeitos, Rosalba, de Mossoró; Carlos Eduardo, de Natal.

O ponto alto do debate foi a intervenção da jornalista Michelet Ferret e do ator Henrique Fontes, que, dirigindo-se aos dois, deixaram bem claro o fracasso da atuação dos governos nessa área. Disse Michele que as 45 Casas de Cultura, criadas pela ex-governadora Wilma de Faria e Iberê Ferreira de Souza “estão totalmente falidas, algumas até viraram postos de venda de produtos da Avon e da Natura”.

Henrique quis saber como os projetos dos candidatos vão ser implantados. Ele destacou que não pode haver resultados sem uma articulação entre educação e cultura e considerou os Conselho Estadual e Conselho Municipal de Cultura um verdadeiro “desastre”.

Nenhum gestor de cultura se fez presente, exceto a professora aposentada Isaura Amélia Rosado Maia, que ocupou em passado recente a direção de todos os órgãos de cultura, do município e do estado.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Artigo de Alex de Souza sobre o Cultura em Debate

Apenas um Pitaco
Por Alex de Souza

Acho que até Iberê está careca de saber (desculpe, nunca resisto a essa piada) que o debate sobre cultura com os candidatos ao governo será nesta quarta-feira à noite. Participam os três mais bem postos à mesa: além do supracitado, tem ainda Rosalba e Carlos Eduardo. Será na Casa da Ribeira e coisa e tal (aqui).
Fui até convidado pelos dois grupos que estão organizando a parada, a Revista Catorze e o Núcleo de Jovens Artistas (valeu, caras!), mas não vai dar para estar em Natal no dia. Isso não significa que eu vá perder a chance de dar um pitaco sobre uns dois ou três assuntos interessantes sobre os quais os candidatos poderiam falar.

Aliás, antes disso, lembrei de um assunto que não me interessa nem um pouco: festa. Até porque tenho certeza que os três reis magos vão falar tanto de festa, que me daria vontade de colocar um cocar de penas e começar a sambar. Geralmente quem vem com esse papo não tem uma visão sobre cultura que vá muito além disso. Beleza: festa é bacana, todo mundo gosta e uma ruma de gente tira um troco com elas. Mas se for assim, que tal sugerir um calendário de eventos consistente, que contemple as diferentes regiões do estado, com regras claras para concessão de apoio público a cada iniciativa? De preferência, contemplando as diferentes tendências, gostos e estilos. Só se fala em porra de auto. Sinceramente. Por que não festivais regionais de teatro, colocando os artistas para circular, promovendo a formação deles e de novos pelo intercâmbio e pulverizar a audiência (mas por favor sem matar o povo), apresentando em escola, teatrinho, casa de cultura e o escambau? Pelo menos assim, agrada àqueles com visão meramente utilitarista da cultura e faz algo de futuro pela classe.

Eu queria muito que alguém me dissesse o que diabos vai fazer com a Fundação José Augusto, esse bode antediluviano atravessado da sala ao quintal. Além de uma estrutura sucateada e funcionários desestimulados, um esquema de desvio de verbas públicas montado na Casa Civil do governo Wilma de Faria por gente de boa família conseguiu piorar o que já era muito ruim bote aí uns 20 anos.
Não bastasse a dotação orçamentária vergonhosa, a FJA terminou soterrada por uma burocracia brutal. Se você aliar isso à incompetência administrativa dos atuais gestores, dá para entender o atual estado das coisas por lá. Como todo governante com mandato novinho adora uma reforma administrativa, que tal sugerir o compromisso de uma mudança radical naquele buraco, de preferência que garanta autonomia administrativo-financeira ao órgão? É o único modo de se ter planejamento, o que duvido já haver existido na FJA.

A atual gestão ao menos criou câmaras setoriais. Tudo bem que elas não funcionam a contento e estão esvaziados (também, já pensou passar dois, três meses discutindo a criação de um edital e não ver o bichinho sair da toca dois anos depois?). Mas são espaços ideais para discutir ações para cada expressão artística ouvindo àqueles que as fazem: eu, você e aquele outro cara esquisito ali do lado. É disso que precisamos: de espaço para sermos ouvidos e levados em consideração. Aí as coisas acontecem.


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Aproveitando o gancho anterior, apresento minha crítica também ao evento em si. É louvável propor uma discussão que trate exclusivamente de cultura. Sou um cara novo, mas como tem eleição de 2 em 2 anos nesta birosca, já vi algumas campanhas e não lembro de nenhuma deste tipo promovida anteriormente. Mais uma vez parabéns à galera que propôs e organizou.
Mas debate é um troço que já era. Tem um apelo apenas midiático. E nem o povão mais curte, é só reparar nos índices de audiência dos promovidos pelas tevês. Além de vir com umas regras chatas, que limitam as falas dos candidatos.

Num lugar com 160 lugares, somos (teoricamente) um público qualificado que entende (teoricamente) do tema. Se for para falar de cultura, deixem os caras falarem. Quero escutá-los, retrucá-los, redargüi-los. Fabrício Nobre e sua turma, lá em Goiás, promoveram encontros individuais, sabatinas, com os candidatos ao governo.

É muito fácil encarar as notórias nulidades da política potiguar discutindo cultura por 5 minutos. Queria ver elas trocarem uma ideia conosco por 2 horas, sozinhas, como elas adoram fazer com empresários e comerciantes.

Seria também uma forma de discutirmos uma política cultural, da qual somos tão carentes. Até porque não lembro de, em momento algum nos quatro anos que antecederam esta eleição, ter ouvido falar de algum grupo político que convidou alguma entidade representativa da classe artística para discutir ou formatar um esboço de programa de governo. Coisas de uma democracia de espetáculo, aquela que precisa de hora marcada e autorização da justiça para acontecer.


***
Essas mal traçadas acima são também uma resposta com mais de 140 caracteres para a jornalista Ramilla Souza, com quem tive o prazer de conversar rapidamente ontem à noite sobre política. Nos últimos anos tenho até me esforçado para votar num ou outro candidato a cada eleição. Mas sou a favor do voto nulo. Se você não curte viajar pro exterior, sou a favor de não ir nem lá pr’essa babaquice que é ‘justificar’ o voto ou teclar números não-cadastrados. Acho até mais complicado justificar o voto em certas criaturas do que não querer sair de casa para votar nelas.

Mas isso não signifique que despreze a política. Estou, sim, rodriguesneteando para esses caras que acham que fazem política e suas estruturas viciadas de poder. Faço política olhando criticamente para as ações deles e de seus apaninguados, trocando idéias com meus semelhantes aqui e acolá em alguns artigos, faço política quando escrevo meus continhos de ficção científica. Aí, aqueles que se importam com os ‘canais institucionais de representação democrática’, como você, Ramilla, os meninos do Núcleo de Jovens Artistas, a turma da Revista Catorze, e tantos outros grupos organizados e atuantes, podem dialogar comigo e com quem mais tiver afim, sobre como podemos mudar as coisas.

Fonte: Substantivo Plural

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Cultura em Debate ganha novos apoiadores


O evento “Cultura em Debate – Por uma política Cultural Responsável” ganhou novos apoios entre a classe artística natalense. Nesta semana, a Casa da Ribeira aderiu à proposta, além do site Substantivo Plural, do jornalista Tácito Costa e o Centro Cultural Dosol. O Ponto de Cultura Giratório, do Grupo Gira Dança e o zine Lado R também passaram a apoiar o “Cultura em Debate”.

Além disso, o Ponto de Cultura Facetas, Mutretas e Outras e História e o Teart Grupo de Teatro já confirmaram sua presença no evento.

O debate ocorre no próximo dia 8 (quarta-feira), às 19h30, na Casa da Ribeira e irá reunir os candidatos ao Governo do RN em um debate exclusivo sobre Cultura. O público-alvo são artistas, produtores culturais e jornalistas.

A realização do debate é do Núcleo de Jovens Artistas e da Revista Eletrônica Catorze. A intenção é promover a discussão e melhoria das políticas públicas voltadas para cultura no RN, incluindo questões como orçamento da Fundação José Augusto, criação de um Fundo Estadual de Cultura, promoção de editais de incentivo, entre outros.

sábado, 28 de agosto de 2010

Núcleo de Jovens Artistas e Revista Catorze promovem debate sobre cultura




A Revista Eletrônica Catorze e o Núcleo de Jovens Artistas promovem na quarta-feira, 8 de setembro,  um debate sobre políticas culturais com os candidatos ao governo do Rio Grande do Norte, Carlos Eduardo (PDT), Rosalba Ciarlini (DEM) e Iberê Ferreira de Souza (PSB). Denominado “Cultura em Debate”, a proposta já conseguiu adesão de diversas organizações envolvidas em cultura no Rio Grande do Norte como o Cineclube Natal, Rede Potiguar de Música, Jovens Escribas e Grupo Local .
O objetivo do debate é  de estabelecer uma ponte entre jornalistas, artistas, produtores culturais e políticos como forma de guiar as políticas públicas para a área. Segundo o jornalista e editor da Revista Eletrônica Catorze, Beto Leite, a participação dos candidatos é indispensável para que os setores da cultura do RN conheçam o debate. “As principais correntes artísticas do Rio Grande do Norte foram convidadas e estarão presentes no evento”, garante.
O debate será dividido em três blocos e compreenderá perguntas de artistas, jornalistas e produtores culturais selecionados pela produção do evento, além de questionamentos da própria platéia. Além disso, os três candidatos terão espaço para apresentar suas diretrizes de governo para a área de cultura a todos os artistas, produtores e jornalistas presentes. “A idéia é que seja um espaço democrático, sem distinção de partidos, entre os candidatos participantes”, ressalta Beto Leite.
Para a jornalista e atriz Ramilla Souza, membro do Núcleo de Jovens Artistas, a iniciativa é inédita na cidade e é importante para definir as políticas que vão reger a cultura do Rio Grande do Norte nos próximos quatro anos. “O debate com artistas e pessoas do meio serve para que a política se aproxime cada vez mais dos elementos que fazem parte da democracia”.
Revista Catorze:
Publicação eletrônica destinada ao jornalismo cultural fundada em setembro de 2009. Já cobriu eventos como o Festival DoSol, o Mada, a Feira Literária da Praia de Pipa e o Salão de Artes Visuais do Rio Grande do Norte. Destaca-se pelo seu pioneirismo, pela sua linguagem jovem e pelo apoio que dá aos autores de quadrinhos no RN.
Núcleo de Jovens Artistas
É  um fórum de discussão sobre políticas públicas culturais e qualificação artística formado por atores, músicos e artistas plásticos entre 16 e 25 anos. O grupo se destaca por ações pontuais como a promoção de leituras dramáticas e oficinas de teatro e performance na cidade.
Informações:
Beto Leite – Editor da Revista Catorze: 91876345
Ramilla Souza – Núcleo de Jovens Artistas: 99181634

NJÁ apoia a "Cartaz ao Respeitável Público", do Grupo Locau!

O Núcleo de Jovens Artistas declara apoio à carta-documento "Cartaz ao Respeitável Público", produzida pelo Grupo Locau! Leia abaixo:


A CLASSE ARTÍSTICA DE NATAL VEM SENDO HISTORICAMENTE SISTEMATICAMENTE DESRESPEITADA PELAS INSTITUIÇÕES QUE JUSTAMENTE FORAM CRIADAS E SÃO MANTIDAS PARA APOIAR O CRESCIMENTO E O DESENVOLVIMENTO DESSES SETORES TODOS DA ARTE: O TEATRO, A MÚSICA, A DANÇA, A LITERATURA, O CIRCO, AS ARTES VISUAIS ETC.

APESAR DESSAS INSTITUIÇÕES JUSTIFICAREM A CONSECUÇÃO DE SUAS VERBAS GARANTINDO INVESTIMENTOS NA ÁREA, A REALIDADE DOS ARTISTAS LOCAIS E DEMAIS PROFISSIONAIS QUE TRABALHAM PRESTANDO SERVIÇO PRO MUNICÍPIO E ESTADO É ULTRAJANTE E CONTRADITÓRIA, MUITAS VEZES SUBMETENDO OS MESMOS A SITUAÇÕES DE VEXAME NAS SUAS APRESENTAÇÕES, DESTRATANDO OS ACERTOS TÉCNICOS E ATRASANDO OS REPASSES FINANCEIROS, COM CACHÊS ABAIXO DA MÉDIA E ABSURDAMENTE MENORES AOS PAGOS EM CONTRATOS NACIONAIS; SEM CONTAR COM A FALTA DE UMA POLÍTICA CULTURAL ESTRUTURANTE QUE POSSA GARANTIR A FORMAÇÃO DE NOVAS PLATÉIAS, A CONTINUIDADE DAS AÇÕES INDEPENDENTEMENTE DA TROCA DOS GESTORES, A TRANSVERSALIDADE DOS EIXOS EDUCATIVOPEDAGÓGICO-CULTURAL ETC.

ESSA POSTURA DAS NOSSAS AUTORIDADES FRENTE A ESSAS QUESTÕES VEM TRANSTORNANDO A VIDA DE CENTENAS DE PESSOAS QUE SOBREVIVEM DE SUAS ATIVIDADES E QUE INCLUSIVE CONTRIBUEM ECONOMICAMENTE PARA A CADEIA PRODUTIVA DOS SEGMENTOS AQUI RELACIONADOS.

REAFIRMAMOS ATRAVÉS DESSE TEXTO A IMPORTÂNCIA DA ARTE PARA O DESENVOLVIMENTO DE UMA SOCIEDADE, SEJA ELA QUAL FOR, E PEDIMOS A SUA ATENÇÃO PARA APOIAR AS POTENCIALIDADES ARTÍSTICAS DE NOSSA LOCALIDADE.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

NJÁ nas eleições!

Este é ano de eleições. Vemos propagandas partidárias invadir os horários mais nobres da televisão, carros de som circular com paródias de músicas da moda tocadas em alto falantes gigantescos, cartazes disputarem postes e candidatos sorridentes aparecerem em lugares inesperados (como comunidades carentes, postos de saúde pública ou até dentro de ônibus). 

O fato é que, se há algum momento propício para colocarmos nossa massa cinzenta para funcionar e refletirmos sobre como fazer uso coerente de nosso legado grego, é agora. A democracia faz parte da história da sociedade ocidental tanto quanto a escravidão, o racismo e o imperialismo. Mas, diferente desses últimos, o regime democrático talvez seja algo do qual possamos nos orgulhar. Assim, é chegada a hora de inaguramos uma nova Ágora e debatermos aquilo que, além de nossa racionalidade, nos torna humanos. 

A cultura está no centro de nossa humanidade e, por isso, ela deve ser debatida, discutida, pensada, mastigada e vomitada. Para isso, o NJÁ e a Revista Catorze estão organizando um debate sobre cultura entre os candidatos ao governo de nosso Estado. Queremos saber de nossos candidatos o que eles pensam sobre cultura, quais são suas propostas, o que conhecem e como avaliam a cultura do RN. 

Estamos nos organizando para proporcionar o debate mais democrático e completo possível. Com a participação de artistas e do público em geral. A data e o local serão divulgados em breve! Aguardem e participem!    

sábado, 24 de julho de 2010

NJÁ em férias!

O NJÁ está de férias, mas volta às suas atividades no dia 07/08!

Mesmo assim, nossas discussões continuam acontecendo pela internet, através do nosso grupo de e-mails.
Se você também quiser ler e participar de nossas conversas, é só se cadastrar em http://groups.google.com.br/group/nucleo-de-jovens-artistas

Enquanto isso, os jovens artistas chamam a atenção para eventos importantes que merecem destaque e que estão acontecendo em Natal.
  • Hoje (25/07), 
          Último dia de apresentação da peça Meu Nome, na Casa da Ribeira, às 20h  - R$5,00


          NJÁ Destaca

           26/07

         - Palestra Produção Cultural Independente do RN, às 15h, no Auditório da Reitoia
          
           29/07

         - Muitas Clarices, do grupo Haia Teatral, às 16h30 no Deart/UFRN
         - Suíte 1, às 17h30, no DEART/ UFRN
         - Razão e Consequência, do grupo Gira Dança, às 10h00 no Estacionamento do Ginásio da UFRN
         - Banda de Música - Zé Martins e Banda Fibra de Coco, às 18h00, no Estacionamento da Comunica /  Centro de Convivência
         - Simpósio sobre Economia da Cultura, no Auditório da Escola de Música da UFRN:
              
   das 9h00 as 12h00
 
              Mesa Temática: Rede de Gestores de Economia da Cultura
              Palestrantes: Juliana Nolasco (MinC), Afonso Luz (MinC), Edgar Andrade (Fundarpe)

    das 12h30 – 16h30

              Mesa Temática: Impactos Econômicos das políticas Culturais
             Palestrantes: Rodrigo Sabatini (FACAMP), Sílvio Rosa Filho (UNIFESP), Lauro Mesquist (CGEC/MinC).

  •  I Bienal Nacional Potiguar de Teatro, a partir do dia 29/07

           NJÁ Destaca: 
  • dia 31/07, apresentação de A Mar Aberto, do Coletivo de Atores à Deriva, às 20h no Teatro Alberto Maranhão - Gratuito

quarta-feira, 7 de julho de 2010

NJÁ recebe o poeta Zé Martins

O último sábado, 3, foi dia do projeto Mapeando Grupos e Artistas Potiguares e, dessa vez, tivemos o prazer de receber o cantor e poeta Zé Martins. Ele nos falou sobre a SPVA - Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN. A Sociedade que, no mês de junho, completou treze anos de existência, tem por objetivo  revelar poetas e artistas potiguares que vivem no anonimato, sem reconhecimento. A SPVA é composta por membros com formações culturais diversas, mas que têm em comum a paixão pelo universo da poesia. É assim que desempregados, médicos, engenheiros, advogados e sapateiros se reúnem todos os sábados, a partir das 16h, na Escola Estadual Winston Churchil, para recitar e ouvir poesias.

O caráter político e social da literatura é encontrado em todos os projetos promovidos pela SPVA. O maior deles, o Poesia na Escola, leva o universo poético em forma de saraus até as escolas da rede pública e privada com a intenção de despertar o público para a importância e beleza da poesia, além de revelar novos talentos.

A Poesia na Praça, Poesia na Pedra do Rosário e Poesia no Ônibus são outros projetos de destaque da Sociedade. Todos buscam dar visibilidade ao trabalho da produção literária dos membros associados e  dinamizar o cenário da cultura potiguar.


Zé Martins


Poeta, músico, compositor e engenheiro mecânico, Zé Martins é membro apaixonado da SPVA e começou a fazer poesia cedo, aos sete anos, para uma menina do bairro onde morava. Hoje, aos 50, a paixão pela garota do bairro passou, mas a poesia continua a fazer parte da vida de Zé Martins.  Sua relação com a arte, como na maioria dos casos,  se construiu através de uma trajetória difícil. Começou participando de festivais de música. Chegou a ser censurado e acabou desistindo. Zé Martins não se abalou e, na verdade, nem ao menos sabe o que desagradou os censores. Comprou equipamentos de som e passou a se apresentar em escolas, com músicas e poesias de sua autoria. Atualmente, Zé Martins é formado em engenharia mecânica e canta com a Banda Fibra de Coco. Ambos são figuras importantes no cenário artístico do RN.
Sua agenda de shows? Não lembra...Mas sabe que o próximo show está marcado para o dia 27 de julho, na SBPC, às 18h, na UFRN. 



 Poetas Vivos
Como são loucos os poetas,
escrevem na pedra não lapidada
escrevem na areia, antes do preamar
lêem nas estrelas versos lúdicos
Como são loucos os poetas,
dirigem naves intergalaxiais
traçando rumos
no meio dos dragões
sedentos, pelos bares
na rua da sobriedade
Como são loucos os poetas,
não são remunerados e
cantam todas as noites
fazem versos do “nada”
descobrem sentimentos
e sonham como o vento
constroem muralhas intransponíveis
ultrapassam paredes invioláveis
e se perdem na fumaça solta
não tem idade,
não tem relógio
Como são loucos os poetas,
desafiam exércitos,
convocam falanges
e disputam com os magos
no reino dos deuses
Como são sábios
estes loucos poetas


Zé Martins

segunda-feira, 14 de junho de 2010

NJÁ e Projeto Disfunctorium promovem oficina de performance

O Núcleo de Jovens Artistas - NJÁ e o Projeto Disfunctorium Intervenções Artísticas realizam a oficina de performance “A arte de ser e de ser com”, entre os dias 21 a 24 de junho, no TECESol – Sede do Grupo Facetas, Mutretas e Outras Histórias, em Pirangi. A inscrição custa R$ 15.

A oficina será ministrada pelos membros do Disfunctorium, Yuri Kotke e Dé (Andre Luiz). Esse último ganhou prêmio de melhor ensaio teórico no Salão de Artes Visuais de Natal 2010, da Funcarte.

A atividade visa amplificar o conhecimento nessa linguagem, que se faz presente, há tempos, na vida cultural de Natal. Ela será dividida em três partes, sendo a primeira referente à leitura teórica e discussão da bibliografia produzida a respeito da arte da performance; a segunda ligada ao trabalho dos artistas da performance, em um contexto mundial, nacional e local; e a terceira, de caráter prático, com a promoção de uma investigação do corpo dos participantes como forma de produção artística.

Entre os nomes escolhidos para análise, estão os performers natalenses, Civone Medeiros, Ênio Cavalcante, além do próprio Disfunctorium, que irá expor parte de seus mais de dois anos de pesquisa na área. Marina Abramovic, Hélio Oitica, Joseph Beuys, Rodrigo Braga, entre outros, também serão abordados.

O objetivo da oficina é, também, expandir a compreensão do que pode ser artístico e estético e inserir uma proposta na arte que dê conta das tensões, incoerências e paradoxos da vida humana.

A mídia utilizada pela performance é a vivência entre o expectador e o artista e a ideia é que, a partir dessa experiência, se possa refletir sobre os códigos éticos, políticos, morais e sociais em voga. A performance não se propõe a resolver conflitos, mas, ao contrário, levantar questionamentos. Além disso, a experiência dessa modalidade artística nos leva a refletir sobre como nos relacionamos com nosso corpo e com o dos outros.

Projeto Disfunctorium

O grupo norte riograndense Projeto Disfunctorium possui hoje mais de dois anos de criação e produção na cidade do Natal na área da arte da performance. Fundado em março de 2008, o Disfunctorium reúne alunos universitários na área de teatro, buscando pesquisar, refletir, e criar no interior do campo da arte da performance.

O grupo já apresentou cerca de cinqüenta trabalhos na área, convidado a compor com sua produção artística eventos de caráter universitário e de produção independente dentro e fora do estado. Dentre os eventos que participou, se destacam o V Congresso da ABRACE (Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas) em 2008, o MADA 2008, além de uma exposição fotográfica a partir do trabalho do grupo realizada na UFPA.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Carlos Lima relata o I Ciclo de Leituras Dramáticas do NJÁ


Um Exercício de Arte

O sol se punha e o momento mágico do entardecer enchia o céu de azul e laranja. O crepúsculo inquieta, sempre, nem ele sabia por que. Nas pedras centenárias da rua ao lado do Solar Bela Vista, lá vai o espectador, excitado, ansioso, pois ia ao encontro da arte. Uma leitura dramática. A antiga Junqueira Aires se abre larga à sua frente, olha para um lado, para o outro e lá estava a casa de Cascudo. A ansiedade aumenta.

Ao portão, duas câmeras o olham e um guarda fardado, gentil o deixa entrar. Impossível não sentir alguma coisa ao entrar na casa de Câmara Cascudo, pensa ao subir a escada da entrada. O espaço respira cultura, arte, história. Saber que ali viveu um gênio da nossa cultura é uma sensação indescritível para aquele espectador pontual, um dos primeiros a chegar, mas o pessoal ainda estava se preparando, ensaiando, havia um violão e alguém cantava.

Tudo começou no jardim. Ali, sentado, ele ouviu os jovens cantando. Canções de um novo tempo que parecia o de sempre, falavam de corações dilacerados, abraços, coisas do amor. A música deles é uma novidade necessária. Expressa sentimentos. Ele ouve com atenção. Uma guitarra sutil ecoa notas delicadas no pavilhão que servia de cenário. Eles cantam “eu olhei você...” e colunas impávidas testemunhavam mudas, sólidas pareciam sustentar a energia daquele ato de cantar e representar a arte e a vida. Cantam: “é hora de voar...” e voam no embalo das vozes. O que diz essa nova música? Diz que a hora é dos novos caminhos da arte que se anunciam.

Suas composições interpretadas com sentimento embalam a platéia. E aquela música entrava pelos ouvidos, pelos olhos, pela mente. A noite chegou com versos e vozes, violão e guitarra. “Na verdade eu nem sei cantar, na verdade eu nem sei fingir” diziam na canção.

A leitura dramática começou com duas atrizes vestindo algumas personagens. Um texto rico, carregado de ironia e sarcasmo discutindo relações. Com muito talento e sofisticação as atrizes enfrentam o desafio proposto pelo minimalismo do desenho cênico e a grandeza do texto com interpretações impecáveis. Puro teatro. Um exercício de Arte.

No dia seguinte estava em cena a tragédia. A história de Medéia, que foi traída e planeja a vingança mais cruel contra o marido que a abandonou. Essa história é contada por atores que alternam personagens e uma atriz encarnando a atormentada mãe que mata os próprios filhos. A leitura é cumprida com rigor e uma bela interpretação da atriz que faz Medéia.

Em seguida entram em cena duas atrizes para interpretar um sketch inspirado em texto de Clarice Lispector. Surpreendentes, imediatamente conquistam a platéia. As atrizes com suas interpretações envolventes dominam a cena. A performance arrebata aplausos em cena aberta.

Ao final das apresentações a impressão que ficou na mente do espectador sobre este evento marcante na nossa vida cultural, confirma a esperança que ele tem nos jovens, eles que vivenciam os caminhos da arte, que vivem o Teatro, a procura dos seus roteiros de vida, que buscam seus caminhos de expressão na magia da representação teatral. Bravo!

Foi assim o I Ciclo de Leituras Dramáticas do Núcleo de Jovens Artistas.


Texto de Carlos Lima, generosamente enviado para o Núcleo de Jovens Artistas. Carlos, muito obrigada pela atenção.

Haia e RQ

Nossos parceiros do grupo Haia Repertório Teatral e República dos Quadrinhos promoveram apresentações ligadas ao NJÁ semana passada.

A primeiro ocorreu com a apresentação da esquete "Sinto-me em mim", na quinta-feira, 27, que representou o NJÁ na exposição de quadrinhos, promovida pela República dos Quadrinhos. "Sinto-me em mim" é a primeira montagem do Haia e conta com Cris Reliê e Polliana Praça no elenco.

As duas atrizes ainda apresentaram a esquete novamente, desta vez no segundo dia do I Ciclo de Leituras Dramáticas do NJÁ (domingo, 29).

Leia aqui o que o Haia achou do evento realizado no Instituto Câmara Cascudo.

Confira também como foi a apresentação na exposição de quadrinhos.

O Núcleo de Jovens Artistas agradece a todos os colaboradores e membros e espera estender as parcerias para outras ocasiões.

Da direita para a esquerda, os membros da RQ, Beto Potyguara e Joseniz; Cris Reliê, Polliana Praça e Ramilla Souza (membro do NJÁ)